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A proposta de criação do Programa de Pós-Graduação stricto sensu em Neurologia (2004 - Nível: Mestrado Acadêmico e 2005 - Nivel: Doutorado)
está embasada nas atividades de ensino e pesquisa desenvolvidas por Professores Doutores do Centro
de Ciências Biológicas e da Saúde reunidos no grupo de pesquisa em Neurociências cadastrado no
CNPq.
A formação de médicos neurologistas e profissionais afins da área de Neurociências vem passando por
mudanças profundas nas últimas duas décadas. A capacitação para a assistência, conferida pelo curso
de graduação universitário ou por especialização lato sensu, não é requisito suficiente quando esses
profissionais pretendem se diferenciar e participar oficialmente de programas e projetos de pesquisa.
A mudança curricular contribuiu para esse novo perfil de exigências. A participação de alunos de
graduação em programas de iniciação científica vem motivando cada vez mais a busca desses recém-formados por programas de Pós-Graduação strito sensu. No Brasil, temos presenciado uma demanda
crescente de especialistas que buscam em Serviços no exterior parcerias e recursos para a realização
de cursos equivalentes a mestrado e doutorado nas suas áreas, associando a pesquisa clínica à
pesquisa básica. Recursos para pesquisa clínica com interface em área básica seriam perfeitamente
viáveis de serem implementados em nosso país. No entanto, as universidades públicas sem programas
stricto sensu, não têm condições de alocar recursos do Ministério da Educação (MEC) para o
desenvolvimento e consolidação de grupos de pesquisa. A Disciplina de Neurologia da Universidade
do Rio de Janeiro (UNIRIO) é um dos exemplos desse processo. Linhas de pesquisa inteiramente
idealizadas e desenvolvidas por professores da UNIRIO terminam por conferir produção científica
para outras universidades que possuem cursos de Mestrado e Doutorado.
As orientações de dissertação de Mestrado e de tese de Doutorado realizadas por
professores da UNIRIO fora do âmbito de sua Instituição não são consideradas nem sequer na produção
anual do relatório de atividade docente. O resultado final desse processo é a evasão de bolsas e
fomentos que poderiam estar capacitando a UNIRIO para as pesquisa que realiza de fato, mas que não
lhe são reconhecidas como de direito apesar de idealizadas por seu corpo docente.
A proposta de implantação de um programa de Pos-Graduação em Neurologia neste momento
proposto em nível de Mestrado, porém com vistas ao Doutorado, vem contemplar a demanda reprimida
de projetos da UNIRIO que visam compreender, discutir, registrar e publicar aspectos profundamente
particulares das afecções que envolvem o Sistema Nervoso (SN) num país tropical como o Brasil. O
comportamento das doenças do SN diante da exposição a características ambientais de regiões
tropicais, associado ao perfil de miscigenação genética de nossa população e ao grande número de
indivíduos que compõem as famílias brasileiras, permitirá a continuação de estudos epidemiológicos
inéditos, e de estudos genéticos que poderão contribuir na descoberta de loci de susceptibilidade
ou de hereditariedade de diversas condições que acometem o SN. Os três programas em Neurologia já
existentes (dois deles em São Paulo e outro na cidade de Niterói) não contemplam as características
antropológicas e ambientais que o foco da Neurologia pretende como seu objetivo.
Assim, torna-se urgente criar um curso de Pós-Graduação stricto sensu que forme profissionais com
solidez teórica, de pesquisa e conhecimento das particularidades demográficas, clínicas,
imunológicas e genéticas da população brasileira associadas a doenças do SN e as variáveis
associadas a esses dados.
Vale destacar que o Estado do Rio de Janeiro, com treze escolas médicas,
com o maior complexo hospitalar público brasileiro, com dezenas de cursos de graduação ligados que
incluem a disciplina de Neurologia, possui hoje grande demanda por mestrados e doutorados para
esses profissionais que atuam na área de Neurociências.
Na Escola de Medicina e Cirurgia da UNIRIO, as pesquisas desenvolvidas até o momento, e expressas
nas linhas do Programa proposto, contemplam grande parte das temáticas contidas nos desafios acima
apresentados, indicando as possibilidades do impacto científico do futuro programa. Além disso, os
trabalhos de pesquisa apresentados em congressos nacionais e internacionais; os projetos apoiados
por agências de fomento, ou pela própria Instituição ratificam a pertinência das discussões que o
grupo de professores pesquisadores vêm consolidando ao longo do tempo. As características
históricas da UNIRIO a qualificam de forma pertinente e contundente nessa reivindicação.
A posse do Professor Helcio Alvarenga, como Professor Titular da disciplina de Neurologia da EMC,
em 1985, propiciou a organização do curso de especialização em Neurologia Clinica (lato sensu),
coordenado pela Professora Regina Papais Alvarenga, com uma demanda anual de 20 alunos (10 por ano).
Um convênio de colaboração da UNIRIO com o Serviço de Neurologia do Hospital da Lagoa (HL),
hospital público terciário capacitado ao atendimento de emergência, cirúrgico e intensivo de
pacientes neurológicos, possibilitou a organização de um núcleo integrado de ensino, extensão e
pesquisa.
A partir de 1995 os Docentes da Neurologia - Helcio Alvarenga, Regina Alvarenga, Soniza
Vieira Alves Leon e Marzia Sohler Puccioni associados a pesquisadores nacionais e internacionais
passaram a desenvolver projetos de pesquisa em especial, sobre a historia natural da Esclerose
Múltipla no Brasil, orientando monografias de conclusão de curso (especialização, graduação) e
projetos de Iniciação cientifica (bolsas CNPq e UNIRIO). Participaram também, como Professores
Orientadores de teses de Mestrado e Doutorado em outras instituições do RJ (UFRJ, UFF) e como
poderá ser avaliado pela produção cientifica, vem continuadamente divulgando o resultado destas
pesquisas em Congressos Internacionais e publicações. A organização em 1998 do grupo de pesquisa
em Neurociências (UNIRIO-CNPq) veio fortalecer o trabalho deste grupo de Professores da Escola de
Medicina e Cirurgia que se sente agora capacitado a desenvolver Programas stricto senso em sua
própria Universidade.
O Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG) desde sua criação na primeira metade do século
XX esteve voltado para o tratamento a pacientes com patologias infecciosas, em especial a sífilis
e outras doenças sexualmente transmissíveis, a tuberculose e a lepra. Nas ultimas décadas tornou-se
centro de referência para atendimento a pacientes com Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (AIDS).
Considerando-se que o comprometimento do Sistema Nervoso ocorre em mais de 50% dos casos de HIV/AIDS,
projetos sobre neuroinfecção vem sendo desenvolvidos nos Serviços de Clínica Médica B (10ª Enfermaria)
chefiado pelo Professor Carlos Alberto Morais de Sá e Clinica Médica C (8ª enfermaria) chefiado
pelo Professor Mario Barreto Corrêa Lima.
Os laboratórios do Hospital Universitário estão
aparelhados com tecnologia de ponta para exames laboratoriais específicos e monitoramento
evolutivo da infecção HIV (Anti-HIV: ELISA, Western-blot, contagem de Linfócitos CD4 e CD8
e mensuração da Carga Viral do HIV pelo método de NASBA).
Considerando a soma de experiência adquirida nestes anos de trabalho conjunto, os Docentes
Doutores da Medicina abaixo relacionados apresentam neste documento a proposta para a criação
do Mestrado Acadêmico em Neurologia em 2004 e planejam o Programa de Doutorado para
início em 2005.
O Programa de Mestrado Acadêmico em Neurologia será coordenado pela Professora Regina Maria Papais Alvarenga do
Departamento de Medicina Especializada da Escola de Medicina e Cirurgia do Centro de Ciências da
Saúde da UNIRIO e reunirá Docentes Doutores de subáreas do conhecimento de Medicina Interna
(Neurologia, Psiquiatria, Clinica Médica, Aids) e Anatomia patológica, especialistas
em epidemiologia clínica, informática e estatística e da área básica (genética, imunologia,
histologia).
O Programa de Mestrado Acadêmico em Neurologia terá uma única área de concentração:
Neurociências, reunindo projetos e disciplinas nas seguintes linhas de pesquisa:
Neuroepidemiologia, Neuroinfecção e Novas tecnologias para documentação e ensino em Neurociências.
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